segunda-feira, 1 de junho de 2020

Alterações mamárias na adolescência

Durante a puberdade, o crescimento e as alterações corporais, principalmente as alterações mamárias, podem causar-te dúvidas e preocupações.   

Do nascimento à vida adulta, as mamas desenvolvem-se, passando por vários estágios até atingir o formato e volume definitivosDurante a infância, as mamas praticamente não contêm tecido glandular e os mamilos são praticamente lisos, depois no inicio da puberdade formam-se os "botões mamários", as mamas elevam-se ligeiramente e os mamilos começam a ganhar pigmentação e aumentam de diâmetro. O “botão mamário” aparece em média aos 10 anos de idade e forma-se quase sempre primeiro numa mama e, pouco depois, na outra, em algumas adolescentes o início do desenvolvimento mamário pode iniciar-se mais tardiamente sem que isso seja considerado anormal.  

Mais tarde, por volta dos 11 anos, começam a produzir-se as alterações mais marcadas, que fazem com que as mamas cresçam e se tornem mais proeminentes e as aréolas mais lisas e rosadas, destacando-se ainda mais em relação ao resto da superfície mamária. As mamas em adultas adquirem um volume ainda maior e adotam uma forma esférica típica. O crescimento da mama feminina é diferente em cada mulher. 

O desenvolvimento mamário, cuja duração é normalmente de cinco a nove anos, pode ver-se afetado por diversas alteraçõesO tecido mamário responde aos estímulos hormonais, mas ás vezes essa resposta não é adequada. A patologia mamária na adolescência é habitualmente benigna, englobando alterações do desenvolvimento, nódulos mamários e/ou corrimentos mamilares.  

Explicamos-te algumas das alterações mais frequentes 

  • Dor mamária: é a mais frequente das alterações mamárias, decorre de estímulos hormonais e por isso é comum o seu aparecimento antes do período menstrual 

  • Assimetria mamária: embora pareça estranho, não é preocupante, ocorre em muitas adolescentes e na maioria das vezes ocorre a simetria no final da puberdade 

  • Hipertrofia mamária: corresponde ao excesso de volume das mamas pode causar desconforto com repercussão postural causando dor mamária e dores nas costas  

  • Hipotrofia mamária: corresponde ao volume das mamas medicamente considerado pequenoNormalmente, pelo facto da mama ser pequena, não deixa de desempenhar corretamente o seu papel.  

  • Nódulos mamários:  os fibroadenomas são os mais frequentes, correspondem a um nódulo que aparece geralmente entre 15 e 25 anos de idade, é duro, móvel, único, não doloroso e bem delimitado, como se fosse uma "bolinha " dentro da mama. Estes nódulos têm na maioria dos casos indicação para vigilância médica, pois não são mais que o reflexo das oscilações hormonais nessa idade 

elaboração da imagem corporal e a satisfação com o corpo sofrem várias influências: da família, dos grupos de amigos, da publicidade, dos media e da sociedade em geral. 

Reconhecer a diversidade de características das mamas é essencial para perceberes que o que torna uma mama atraente é muito mais subjetivo.  

Adolescência é passar por grandes transformações físicas, emocionais e sociais, é NORMAL ter duvidas e preocupações 


Dra. Mariana Sucena
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

sexta-feira, 1 de maio de 2020

E quando me falha a menstruação?


A menstruação pode falhar ou atrasar-se por vários motivos.

O mais falado é a gravidez. Mas uma menstruação irregular pode também ser causada por desequilíbrios hormonais ou por doenças por vezes graves.

Há duas alturas da vida de todas as mulheres em que é perfeitamente normal e muito comum o período ser irregular e falhar frequentemente – a adolescência e o final da vida reprodutiva. Nestas alturas da vida, o período falha muitas vezes sem que isto signifique que tenhas um problema sério ou que estejas grávida.

Habitualmente os ciclos menstruais duram 28 dias (desde o primeiro dia do período até ao primeiro dia do período seguinte). Mas muitas mulheres têm ciclos menstruais mais curtos ou mais longos (de 21 a 35 dias ainda se considera normal, desde que regulares).

Se os teus períodos falham regularmente, pode ser por stress, exercício físico excessivo, baixo peso, obesidade, síndrome dos ovários poliquísticos, toma de anticoncepcionais ou por doenças crónicas (exemplo: diabetes, doenças da tiróide).

Gravidez
Se o teu período estiver atrasado e se tiveste relações sexuais sem utilizares adequadamente um método contraceptivo, é possível que estejas grávida. Podes facilmente excluir esta hipótese realizando um teste de gravidez que podes comprar numa farmácia.

Stress
O stress pode provocar ciclos menstruais mais longos ou mais curtos do que o habitual. Também é possível que, devido ao stress, não tenhas período durante vários meses. Ter uma vida mais calma e realizar exercício físico regularmente são medidas que podem ajudar a regularizar o teu ciclo menstrual.

Alterações do peso e exercício físico em excesso
Tanto o baixo peso como a obesidade podem causar alterações no teu ciclo menstrual. Um nutricionista pode ajudar a adquirires o teu peso ideal para que os teus ciclos menstruais regularizem. No caso de teres baixo peso por sofreres de um distúrbio alimentar (por exemplo, anorexia), podes precisar de ajuda de uma equipa especializada para recuperares o teu peso. O exercício físico em excesso também pode fazer com que deixes de ter o período de forma regular. Reduzindo a intensidade do exercício podes voltar a ter o período regularmente.

Métodos contraceptivos
Alguns métodos contraceptivos provocam irregularidades no ciclo menstrual que não te devem preocupar. O dispositivo intra-uterino de levonogestrel e o implante subcutâneo de etonogestrel são alguns destes métodos.

Síndrome do ovário poliquístico
Esta doença metabólica é muito frequente e dificulta a ovulação. Os ovários poliquísticos produzem muitos folículos mas não libertam óvulos todos os meses. Sem ovular, as menstruações tornam-se irregulares (habitualmente com ciclos longos), muitas vezes acompanhadas de dor pélvica e perda de sangue em mais quantidade do que o habitual.

Doenças crónicas
Doenças crónicas como a diabetes e doenças da tiróide podem causar períodos irregulares. Realizando tratamento para estas doenças podes voltar a ter o período todos os meses.

Pede ajuda ao teu Médico de Família para perceberes a causa dos teus períodos irregulares. Se necessário o teu Médico pode recomendar algum tipo de tratamento para te ajudar a teres um ciclo menstrual certo e previsível!

Dra. Joana Curado
Hospital Garcia de Orta

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Higiene íntima


A higiene íntima é muito importante para a mulher, de modo a manter os genitais limpos, livres de humidade e resíduos: como fezes, urina ou fluídos. É importante em termos de bem-estar, mas também porque contribui para a saúde física, prevenindo infeções.
Existem muito produtor de higiene íntima disponíveis no mercado, e neste post vamos falar do que é mais importante ter em conta na sua escolha, assim como quais as melhores técnicas de higienização da zona íntima.

Ambiente vaginal: como é e como funciona?
Na adolescência, a produção de estrogénio pelo ovário permite um ambiente ótimo para a fixação de lactobacilos na vagina, que ajudam o ambiente vaginal a tornar-se otimizado face às bactérias, que podem contudo ser normais na vagina e até mesmo ajudar no seu equilíbrio (depende do tipo de bactéria e da quantidade).  A partir desta fase, o ciclo menstrual vai ter implicações no ambiente vaginal. Por exemplo, durante a menstruação, o pH da vagina (que normalmente é ácido) vai tornar-se mais alcalino pela presença de sangue, facilitando o desenvolvimento de organismos na vagina que não deveriam existir, ou pelo menos existir naquela quantidade/ proporção.  
É normal haver corrimento vaginal na mulher, já que a produção deste muco possibilita a manutenção do pH vaginal nos valores corretos, funcionando como um mecanismo protetor às infeções indesejadas. É, no entanto, muito importante saber quais as características do corrimento que não nos deve preocupar: se ele for branco fluído ou transparente, sem cheiro e não causar comichão, não será para preocupar.

Detergentes de limpeza: como escolher?
Portanto, já percebemos que manter o pH da vagina ácido é importante e isto vai ser uma dica muito útil quando escolhemos os produtos para a nossa higiene íntima: devemos evitar produtos que alcalinizem o pH da região genital, e que portanto destruam um dos mecanismos protetores. O objetivo dos produtos de limpeza íntima não é esterilizar os genitais, mas sim conseguir eliminar os resíduos e secreções da região sem destruir as suas características e as próprias bactérias que vivem normalmente na vagina. É ainda importante que estes produtos não sejam irritantes nem sequem demasiado a pele e as mucosas.
Passar os genitais por água em primeiro lugar permite remover grande parte dos resíduos. De seguida devemos passar o detergente genital, capaz de remover as gorduras e partículas que ainda lá ficaram, como células mortas derivadas da descamação da pele, fezes, urina ou sangue menstrual. Muitas mulheres gostam que estes detergentes façam espuma, mas produtos com muita detergência podem remover excessivamente a camada de gordura da pele, tornando-a muito seca e facilitando a comichão.
Frequentemente as mulheres usam os comuns sabonetes orgânicos para higiene íntima, mas devemos ter atenção porque normalmente estes são alcalinos e tornam-se abrasivos, promovendo a secura da pele: por exemplo os sabonetes de glicerina ou sabão em barra. Se a mulher prefere ainda assim usar este tipo de sabonete na sua higiene, então deve associar agentes humidificantes como óleos vegetais ou ácidos gordos.
Os detergentes sintéticos já apresentam um pH neutro ou ligeiramente ácido, tendo a capacidade de fazer espuma com correto efeito detergente, podendo apresentar-se sob a forma líquida (a maioria) ou sólida. Existem detergentes sintéticos próprios para a higiene íntima, maioritariamente líquidos, que devem ser preferidos aquando da lavagem da zona genital, por apresentar as caraterísticas ótimas na manutenção da barreira de defesa íntima ao mesmo tempo que garante a sua lavagem.
O toalhete humedecido tem normalmente um pH ácido ou próximo do neutro, podendo ser uma opção para a higiene fora de casa (por exemplo em sanitários de uso público). Não devem, no entanto, ser usados de forma abusiva e a sua aplicação deve ser suave,

Como proceder à lavagem?
Devem ser lavados a vulva (zona exterior dos grandes e pequenos lábios que contém pele), o monte púbico (parte superior à vulva normalmente composto por pele e pêlos púbicos) região perianal e raiz das coxas, incluindo as dobras e sulcos cutâneos, como o sulco interlabial (entre os grandes e os pequenos lábios).
Primeiro devem ser enxaguados com água corrente e depois com o produto de higiene íntimo, em movimentos circulares evitando trazer conteúdo perianal para a região vulvar. De salientar que apenas deve ser lavada a genitália externa, não estando de algum modo aconselhados os duches vaginais. No final, os genitais devem ser secos com toalha lavada e seca, de forma suave.
Não devem ser utilizados sprays, perfumes, talcos, ou lenços humedecidos.  A região genital deve ser higienizada de 1 a 2 vezes por dia e não deve exceder 1-2 minutos, de forma a evitar a secagem excessiva. Em casos de pele seca, também a região genital pode ser hidratada no final do banho. Os hidratantes deverão ser gel ou cremes vaginais de base aquosa e com pH ácido e compatíveis com a mucosa vaginal.

Uso de penso diários: sim ou não?
O uso sistemático do penso higiénico diário não é recomendado. Caso haja incontinência urinária ou transpiração excessiva, pode recorrer-se a pensos higiénicos respiráveis (sem película plástica).

Roupa interior: qual a melhor?
No geral, deve utiliza-se roupa interior de algodão.  Deve trocar-se a roupa interior diariamente, não devendo esta ser demasiado apertada. Os fatos de banho molhados e a roupa usada após desporto devem ser trocados o mais cedo possível.


Higiene após relações sexuais: o que fazer?
Após a relação sexual, deve lavar-se a área genital externa com água e produto de higiene íntima. Mais uma vez, não são recomendados os duches vaginais.  

Higiene durante a menstruação: como fazer?
No período menstrual, a higiene deve ser feita com mais frequência, de forma a evitar a humidade prolongada. O uso de pensos higiénicos é possível, mas devem ser trocados com frequência, de forma a garantir a limpeza, mas também evitar a irritação vulvar. Os pensos higiénicos desodorizantes não devem ser utilizados. Os tampões podem ser utilizados com segurança, desde que mudados com frequência.

Depilação da área genital: pode ser?
A depilação da área genito-anal pode ser feita, mas deverá respeitar a sensibilidade individual de cada uma. A frequência deve ser a menor possível.

Tânia Ascensão
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra